Nova modalidade de Vendas de Pacotes Aeroclube de Juiz de Fora! "Hora Seca"

Aeroclube de juiz de Fora passa a operar por “Hora seca” (aquisição de pacotes de horas de voo de instrução sem o valor do combustível incluso): o que é, como funciona e quais as vantagens?!

 

Quem conhece o funcionamento das aviation schools americanas já deve ter ouvido falar do termo “dry rental”, que significa que você está pagando pela hora de voo “seca” – isto é: sem incluir o combustível utilizado pela aeronave durante o voo. Aqui no Brasil, o usual é que se pague o custo total da hora de voo ao aeroclube/escola de aviação, que nos EUA é conhecido pelo termo “wet rental”. 

Mas há alguns meses, o Aeroclube de Juiz de Fora, vem estudando a modalidade de “hora seca” no Brasil, de maneira análoga ao “dry rental” americano, e hoje isso já representa cerca de 20% dos pacotes de horas de voo de instrução comercializados no país. Diversas outras escolas também estão começando a adotar o modelo, que apresenta diversas vantagens sobre o formato tradicional.

No “wet rental” (modelo tradicional) o aluno paga o valor integral da hora de voo ao aeroclube/escola, e este, por sua vez, paga suas despesas, apurando o lucro. Parte do custo da operação não requer desembolso imediato (por exemplo: as revisões da aeronave, que acontecem de tempos em tempos), e parte requer. Nesta última categoria, a parte mais sensível é o combustível, não só pela sua relevância – sozinho, representa cerca de ¼ do valor total da hora de voo! –, mas também pela volatilidade: o valor da Avgas sofre aumentos inesperados ao longo do tempo, imprevisíveis para o dirigente do aeroclube/escola de aviação.

Daí surge a primeira vantagem da “hora seca”: como ela traz maior segurança para quem vende as horas de voo (o aeroclube/escola de aviação), é possível oferecer condições mais vantajosas para quem as compra (os alunos) – na prática, isso pode se traduzir em descontos ou em prazos de pagamento mais dilatados. Outra vantagem que tem impacto direto no preço é a questão tributária, uma vez que no modelo tradicional, o aeroclube/escola paga seus impostos sobre uma base maior do que no esquema de “hora seca”, uma vez que inclui o valor do combustível, conforme o exemplo abaixo (os valores e percentuais são meramente ilustrativos):

  • Modelo tradicional:
    • Valor pago pela hora de voo: $400
    • (-) Impostos sobre o faturamento (20%): $80 (A)
    • (-) Custo do combustível pago pela escola: $100
    • (=) Margem da escola (receita – impostos e combustível): $220
  • Modelo de “hora seca”:
    • Valor pago pela hora de voo: $300
    • (-) Impostos sobre o faturamento (20%): $60 (B)
    • (-) Custo do combustível pago pela escola: $0 (os $100 são pagos à parte pelo aluno)
    • (=) Margem da escola (receita – impostos e combustível): $240

Como há uma economia de $20 no modelo de “hora seca” (A – B), o aumento da margem do aeroclube/escola pode se converter em desconto ao aluno. Na verdade, se a vantagem tributária fosse integralmente repassada ao preço (que seria, então, de $380 – $280 para a escola e $100 para o revendedor de Avgas), os impostos ficariam ainda menores, já que a base de cálculo teria se reduzido. No exemplo acima, os impostos cairiam para $56 (20% x $280) – ou seja: mais $4 seriam economizados em impostos.

Além disso, a “hora seca” é mais justa, pois o voo que gasta menos combustível (por exemplo: um voo de navegação, que permite o empobrecimento da mistura) sai mais em conta do que o voo que consome mais Avgas, como os TGLs feitos com mistura rica o tempo todo. E a eventual desvantagem do modelo, que seria o menor poder de barganha do aluno sozinho para comprar o combustível é anulada pelo fato de a escola repassar os preços da negociação em grande volume para os alunos.

Acreditamos que este novo modelo de comercialização de pacotes de horas de voo de instrução sem o valor do combustível incluso, a “hora seca”, deva se expandir bastante no mercado brasileiro, e talvez se tornar o mais comum no médio prazo. 

O aluno recebe o avião para sua instrução com tanque cheio e o devolve novamente cheio…. simples assim!